sábado, 26 de novembro de 2016

Onde foi parar a cultura superior moçambicana?

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Mesmo quando o moçambicano vai a universidade, não é conhecimento o que ele busca, é o diploma, mas não o diploma pelo diploma, mas sim, o diploma pela mágica do canudo em recompensar com um salário faustoso o exército de buraldos que sob a pontifícia benção reitoral sai todos os anos das universidades se achando no divino direito de reclamar para si uma posição social melhor que a dos seus confrades, sem que para isso tenham que dar mostras de sua competência, se é que têm alguma.

O Fingimento Colectivo

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Você não tem mais como separar a cultura moçambicana desse fenômeno do fingimento colectivo. E o pior de tudo, é que não se trata daquele fingimento poético absolutamente artístico que um poeta costuma ter como disse Fernando Pessoa quando escreveu que o poeta é um fingidor, mas se trata de algo verdadeiramente patológico. Quer dizer, chegamos a aquele ponto em que de tanto fingirmos, não somente para os outros, mas principalmente, para nós mesmos, isso desceu para o nosso inconsciente colectivo e começamos a pensar que aquilo não é mais um fingimento absolutamente inocente mas a própria realidade, como que a fazer jus a aquela técnica de Gobbels da mentira repetida que se tornou verdade.

Perda de valores

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O que eu quero dizer aqui é que, o que está acontecendo em Moçambique, essa perda de valores de que tanto falamos é um efeito de um processo que se iniciou em 77 com a destruição maciça da cultura.

Universidade e a aquisição do saber


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Se o saber tiver um centro, certamente que esse não será a universidade e muito menos as universidades moçambicanas e a profusão de génios fora das universidades é, disso, prova incontestável.
… a unidade do saber grupal só pode ser alcançada por meio do consenso e isso nada mais significa que fazer do saber matéria de votação e não a síntese cartesiana do confronto do eu com o seu dilema existencial através do pensamento. É nesse sentido que … me referi as universidades como centro de politização do saber e não centro do saber em si.

“Cogito ergo sun” cartesiano como busca da autoconsciência

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… somente o “eu” pode gerar o “eu” e situar-se no “eu” sem deixar de ser “eu”.
… afirmar que um ente não existe, não significa afirmar que esse ente não é.